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Formação humano-afetiva

A maturação humanoafetiva do presbítero é uma exigência de seu próprio ministério e uma decorrência da caridade pastoral, que deve ser o fundamento da vida e a meta maior de formação inicial e permanente. No seguimento fiel a Jesus Cristo, o formando deve conhecer a si mesmo em profundidade, aprender a amar as pessoas, grupos, comunidades, especialmente os mais pobres, e conferir sentido teológico e espiritual às opções, escolhas, sacrifícios e renúncias feitas em plena liberdade e na força do amor. “Sem uma oportuna formação humana, toda a formação presbiteral ficaria privada do seu fundamento” (PDV, n. 43).

A formação humanoafetiva visa, no processo de individuação de cada formando, conseguir a capacidade de autoconhecimento equilibrado, com exclusão de percepções distorcidas, e a resistência às tensões e provas a que a vida submete toda pessoa. A primeira e permanente tarefa da formação humanoafetiva visa ajudar o formando a amar a si mesmo. A experiência de amar a si mesmo, sentindo-se chamado e escolhido pelo Senhor, torna-se uma força vigorosa para o crescimento humano-afetivo e a fonte genuína do amor aos irmãos. Dessa fonte, o formando cria laços saudáveis e duradouros, toma consciência de seus limites e de suas possibilidades sustentado pela ação do Espírito Santo e abrir-se com coragem à doação de si mesmo pela vivência do amor fraterno, sobretudo aos mais pobres e esquecidos.

3- Objetivos a serem alcançados na formação humanoafetiva.

1- ter de si mesmo uma autoimagem em que sejam incluídas as possibilidades e limites; conquistas e desafios; debilidades e potencial;

2- perceber, sem distorções, e julgar, com objetividade, justiça e senso crítico, as pessoas e os acontecimentos da vida;

3- realizar opções livres e decisões responsáveis, feitas à luz de motivos autênticos e interiorizadas, transformando energias e motivações inconscientes em possibilidades conscientes, dentro do caminho vocacional do seguimento de Jesus;

4- relacionar-se adequadamente com todas as pessoas, com as comunidades e, especialmente, com os irmãos dentro da casa de formação;

5- crescer na aceitação e no acolhimento do outro; saber intuir as dificuldades dos outros e desenvolver as atitudes de cooperação, diálogo e respeito; saber fazer-se igual; relacionar-se com sinceridade com a família (de origem), sem apegos e dependências, nem rejeições e descompromissos, sem perder as raízes sociais e culturais;

6- colaborar e trabalhar em equipe para que, quando presbítero, exerça uma liderança que, sem autoritarismo, favoreça a missão da Igreja e o crescimento do Reino de Deus;

7- relacionar-se madura e construtivamente com pessoas de ambos os sexos, diferentes idades e condições sociais, especialmente com casais;

8- amar com verdade, profundidade e simplicidade, mediante o crescimento da doação e o serviço generoso aos outros;

9- adquirir suficiente autonomia psicológica pela superação de qualquer rigidez e compulsão e pela integração positiva da sexualidade, que assegura a maturidade e o equilíbrio das relações humanas e da caridade;

10- exercitar o diálogo, a grande força geradora da comunhão e da estabilidade psicológica, aperfeiçoando assim a convivência humana pela dinâmica da escuta-resposta e estreitando os laços de solidariedade, estima e amizade;

11- aceitar e viver as normas da vida comunitária, acolhendo com carinho orientações e encaminhamentos dos formadores do conselho de formação;

12- alcançar o autodomínio, fonte da disposição interior para viver com disponibilidade a dimensão do serviço fundamental à missão do presbítero;

13- conquistar a fortaleza de ânimo, a segurança e a autoconfiança para oferecer uma resposta vocacional com liberdade e sinceridade plenas, assumindo com coragem as necessárias renúncias sem frustrações e desagregações (PDV, n. 49);

14- disciplinar a própria vontade face à onda de consumismo, educando-se tanto para o reto uso do dinheiro, quanto para a correta administração dos bens e educar-se no uso adequado e responsável dos meios modernos de comunicação.

Neste caso, o candidato ao ministério presbiteral deve ser ajudado a alcançar:

1- a maturidade afetiva que o faça ser capaz de prudência, de renúncia a tudo o que a pode atacar e de vigilância sobre o corpo e o espírito;

2- a capacidade de estima, respeito e cultivo de relacionamentos interpessoais profundos com homens, mulheres e, especialmente, com casais e famílias;

3- a educação para uma verdadeira amizade, à imagem dos vínculos de fraterno afeto que o próprio Cristo viveu em sua existência (Jo 11,5);

4- a experiência positiva e estável da própria identidade viril e a capacidade de relacionar-se de modo amadurecido com outras pessoas ou grupo de pessoas;

5- a confiança que nasce da estima pelo outro e que leva ao acolhimento;

6- a capacidade de viver a sua sexualidade de modo integrado, segundo a visão cristã, inclusive na consideração do compromisso do celibato;

7- a capacidade para viver, na fidelidade e na alegria, o carisma do celibato, como um dom total da própria vida à imagem de Cristo, Cabeça e Pastor.

A maturação humanoafetiva do presbítero é uma exigência de seu próprio ministério e uma decorrência da caridade pastoral, que deve ser o fundamento da vida e a meta maior de formação inicial e permanente. No seguimento fiel a Jesus Cristo, o formando deve conhecer-se a si mesmo em profundidade, aprender a amar as pessoas, grupos, comunidades, especialmente os mais pobres, e conferir sentido teológico e espiritual às opções, escolhas, sacrifícios e renúncias feitas em plena liberdade e na força do amor. Nessa dinâmica conduzida pelo Espírito de Deus, o formando vai, à medida que cresce como pessoa, descobrindo a fecundidade de sua vida e missão, e preparando-se para a consagração plena de si mesmo ao Senhor, a serviço do Povo de Deus, pelo dom do celibato presbiteral.

OS GRUPOS DE VIDA DEVEM SUSCITAR E CULTIVAR NA DIMENSÃO HUMANOAFETIVA:

– Momentos comunitários que favoreçam a interação dos grupos e das duas comunidades.

– Encontro anual entre os formandos, suas famílias e os formadores das comunidades.

– Empenho pessoal e Incentivo mútuo ao cuidado com a saúde pela prática de algum exercício físico, bem como a realização de exames clínicos anualmente, no período de férias.

– A valorização de outros momentos de lazer e recreação.

–  A celebração dos aniversários dos membros da comunidade num espírito fraterno.

– A convivência cotidiana em amizades sinceras, respeitando as diferenças pessoais.

– O cuidado da comunidade formativa para que ela se torne uma casa de comunhão e amor, possibilitando clima de silêncio para favorecer a oração e o estudo pessoais.

–  O valor das terapias psicológicas como oportunidades de crescimento humano-afetivo e não como obrigação.

– A convivência com as diferentes culturas, posturas, pensamentos e visões de mundo no contexto universitário.