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Formação espiritual

É de vital importância para a formação espiritual do candidato que se infunda nele, desde o início de seu caminho formativo, a clara consciência de que é ele mesmo o principal, ainda que não único, agente responsável por sua formação sacerdotal. A finalidade de tal processo consiste em conseguir abrir-se à ação do Espírito Santo para se chegar a uma adesão plena à pessoa de Jesus Cristo de tal modo a conformar-se com seus pensamentos, palavras e ações. O futuro sacerdote é chamado principalmente a ter, um coração misericordioso como o coração de Jesus, assumindo em sua própria vida aquilo que exprime o apóstolo São Paulo: ter os mesmos sentimentos de Cristo (cf. Fl 2, 5) para poder manifestar aquela mesma proximidade do Senhor aos pecadores, aos que sofrem, aos excluídos e aos necessitados.

A vida no Seminário deve ter como objetivo formar no futuro sacerdote um profundo amor pelo sacramento da Eucaristia, que há de constituir-se sempre o centro e o eixo de toda a sua vida e sua atividade sacerdotal, e a fonte da qual brota a sua força de discípulo missionário. Por isso, o ambiente formativo deve fomentar no seminarista uma atitude de grande amor e reverência para com o Santíssimo Sacramento, que constitua um testemunho vivo da sua vida interior. Conforme nos recomenda a Pastores Dabo Vobis, vivendo “em uma cultura na qual, com novas e sutis formas de autojustificação, se corre o risco de perder o “sentido do pecado” e, em consequência a alegria consoladora do perdão e do encontro com Deus “rico em misericórdia” (Ef 2, 4), urge educar os futuros presbíteros para a virtude da penitência, alimentada com sabedoria pela Igreja em suas celebrações e nos tempos do ano litúrgico, e que encontra sua plenitude no sacramento da Reconciliação”. De igual modo há que se suscitar em cada futuro sacerdote um profundo amor e uma experiência pessoal do mistério de Cristo celebrado nos diversos atos litúrgicos da Igreja.

A Palavra de Deus lida, meditada e estudada, pessoal e comunitariamente, sobretudo através da “lectio divina”, e da celebração devota da Liturgia da Horas deve constituir-se alimento fundamental da oração, da espiritualidade do futuro sacerdote e da sua prática pastoral. Também é necessário que na celebração dos mistérios se cultive o sentido do sagrado.

Ao mesmo tempo, na vida espiritual, o candidato há de adquirir a capacidade e o hábito de cultivar momentos de diálogo íntimo e pessoal com Deus sob o modelo de Jesus e sua relação filial com o Pai de modo que possa harmonizar de maneira fecunda a oração litúrgica ou comunitária com a vida pessoal de oração. Por isso, é conveniente, sobretudo no início, instruir o candidato em certas técnicas ou métodos de oração a que se possa seguir, até ir adquirindo, pouco a pouco, um estilo e método próprio em sua relação íntima com Deus.

Seguindo o chamado do Senhor a tomar a cruz todos os dias, a formação espiritual deve suscitar no seminarista uma atitude de entrega generosa, de espírito de sacrifício, de capacidade de renúncia e de controle pessoal. Em conformidade com tal meta, o Seminário há de propiciar e obrar nos formandos o desenvolvimento de um senso de responsabilidade pessoal perante as tarefas exigidas, que esteja à altura daqueles que buscam configurar-se com Cristo em sua total obediência à vontade do Pai; se fomentará a disposição ao trabalho, a corresponsabilidade e a atitude de serviço, de acordo com o modelo de Jesus Cristo que não veio para ser servido mas para servir (cf. Mc 10, 45).

Contemplando Maria, a perfeita discípula que com um “sim” total a Deus em todo momento esteve disposta a cumprir a vontade divina, o Seminário deve impulsionar um amor profundo e uma devoção especial à Santíssima Virgem que conduza ao encontro vivo com o Senhor. Ela, a mãe de Jesus e nossa mãe, tutela a fidelidade à vocação sacerdotal. Por isso os seminaristas hão de aprender a invocar a proteção de Maria e de habituar-se a rezar o santo rosário.

Os candidatos à vida sacerdotal hão de receber uma séria formação bíblica, teológica e espiritual para assumir e viver com fidelidade o celibato, testemunho do amor indiviso a Jesus Cristo, como um dom de Deus e como um sinal do Reino, do amor de Deus a este mundo e de sua própria entrega ao Povo de Deus. O Seminário fomentará nos formandos o desenvolvimento da espiritualidade da caridade pastoral própria do sacerdote diocesano cujas linhas fundamentais são:

  1. A consciência de ter sido chamado pelo Pai e impulsionado pelo Espírito Santo para uma configuração com Cristo Bom Pastor, Sumo e Eterno Sacerdote.
  2. Fazer do exercício fiel e cotidiano do tríplice múnus do ministério sacerdotal o itinerário por excelência para a santificação pessoal como ensina o Concílio Vaticano II: “Pois, os presbíteros pelos próprios atos litúrgicos de cada dia, como também por todo seu ministério que exercem em comunhão com o Bispo e os Presbíteros” e “estes, na sua tríplice função, alcançarão a santidade de maneira autêntica, se desempenharem suas tarefas de modo sincero e incansável no Espírito de Cristo”.
  3. A vivência da caridade pastoral, “plasmada e definida por aquelas atitudes e comportamentos que são próprios de Jesus Cristo, Cabeça e Pastor”, colocada permanentemente ao serviço do povo de Deus.
  4. A pertença e consagração à sua igreja particular, como membro de um presbitério, do qual se faz parte ao longo de toda a sua vida, como estreito cooperador do bispo e em comunhão com ele.

OS GRUPOS DE VIDA DEVEM SUSCITAR E CULTIVAR NA DIMENSÃO ESPIRITUAL:

– Gosto e frequência da Leitura Orante da Palavra de Deus (Lectio Divina).

– Exercitar a leitura de livros de espiritualidades, Ofício das leituras e a vida dos santos.

– Celebrar mensal ou periodicamente as datas dos respectivos padroeiros dos Grupos de Vida, caso eles os tenham, como é o caso dos grupos atuais.

– Estudar a introdução a Liturgia das Horas, buscando compreendê-la para melhor rezar e cantar a salmodia, bem como perseverar nos ensaios de novas melodias.

– Fazer da celebração Eucarística cotidiana nas casas de formação um verdadeiro encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, criando clima de oração antecipado e não chegando em cima da hora ou atrasado para os momentos celebrativos e orantes.

– Rezar o terço Mariano com frequência individual ou em grupo.

– Tornar os momentos de oração comunitária do breviário, do terço mariano e da adoração eucarística, ou de outras modalidades, uma oportunidade de santificação do tempo.

– Valorizar a presença mensal dos padres confessores e diretores espirituais nas casas de formação.

– Viabilizar pequenos retiros ou momentos de oração no cotidiano da própria casa.

– Valorizar cada Tempo Litúrgico: sua liturgia, seus ritos e sua espiritualidade.

– Valorizar os momentos de oração pessoal, sobretudo as visitas ao Santíssimo Sacramento.

– Comprometer-se em rezar todos os dias pela santificação da Igreja, pela paz mundial e pelos benfeitores dos seminários.

– Fazer do Retiro Espiritual Anual um momento de encontro pessoal com Jesus e consigo mesmo, dando a Ele a liberdade de nos chamar: Vinde! E nos enviar: Ide!