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Formação Comunitária

Jesus chama seus apóstolos acima de tudo para que “ficassem com ele” (Mc 3,14). Na experiência da comunhão e convivência com os outros vocacionados, os discípulos missionários formam a família de Jesus e experimentam a sua intimidade (Mt 12,49; At 2,42). Somente a efetiva e profunda experiência de comunidade poderá formar o presbítero segundo o modelo deixado por Jesus (PDV, n. 60). O sentido da vida e da missão do presbítero é determinado pela qualidade e profundidade da sua experiência de comunhão (DAp, n. 278).

A vida de comunhão, experimentada e exercitada no cotidiano da casa de formação, favorecida e fomentada pela presença do formador, torna-se a fonte de alegria para toda a vida. Esta experiência deve ser aprofundada no presbitério para reavivar sempre no coração do presbítero a razão de sua consagração e lhe oferecer o necessário suporte afetivo para o árduo, e muitas vezes solitário, serviço pastoral. Dessa raiz excelente, a vida comunitária coloca o formando diante de duas realidades fundamentais na vida do presbítero:

  1. a comunhão de fé com o bispo e com todo o presbitério;
  2. a partilha da vida com o Povo de Deus, a quem deve estimar, acolher, servir e amar.

Essa vida de comunidade, iniciada na casa de formação, deve continuar no presbitério para dar à Igreja e ao mundo ‘exemplo luminoso de caridade e de unidade’ (PDV, n. 81)

Entre os objetivos a serem alcançados na formação comunitária, o formando deve responder concretamente com quatro atitudes básicas:

  1. estar alegremente disponível ao serviço na missão que a Igreja lhe designar;
  2. firmar-se na certeza de que se consagra para a missão e para servir a Igreja e não para atender às necessidades pessoais;
  3. aceitar e valorizar os vários carismas dentro da comunidade presbiteral, contribuindo para o fortalecimento do apelo permanente à missão e da comunhão da Igreja particular;
  4. relacionar-se com as pessoas tendo presente que a manifestação do amor para cada uma, deve significar o amor oblativo de Jesus, caminho para o Pai.

Considerando a natureza comunitária do ministério presbiteral, enfatizada pelo Vaticano II nos documentos (PO, n. 8; OT, n. 4), o formando deve cultivar essas capacidade fundamentais:

  1. conviver e integrar-se em comunidade;
  2. assumir gradualmente responsabilidades e desenvolver o espírito de iniciativa;
  3. trabalhar em equipe sabendo dar e receber ajuda;
  4. reconhecer a necessidade do outro e ser solidário;
  5. valorizar o trabalho de outros e saber integrar-se neles;
  6. escutar atenta e obedientemente aos formadores e ao bispo.

2- Meios

Da experiência de vida comunitária vivida na casa de formação e do trabalho pastoral praticado na comunidade de fé, o formando aprofunda a sua experiência de Igreja que, enraizada no Evangelho e na celebração do Mistério do Cristo, responde ao seu chamado na solidariedade com os mais pobres anunciando o Evangelho.

A conversão pastoral pedida pela Conferência de Aparecida (DAp, n. 370) exige que a formação dos presbíteros imprima no mais profundo dos formandos a experiência da comunhão em comunidade. Tal experiência requer que o formando seja preparado para acolher a participação dos cristãos leigos e leigas na vida da comunidade e na missão evangelizadora da Igreja (DGAE, n. 175). Procure-se manter, na casa de formação, um clima de confiança e respeito mútuo, de expressão sincera de sentimento, de participação progressiva no planejamento e na disciplina da vida comunitária (CIC, n. 239, § 3).

Ajude-se a perceber a dimensão positiva dos conflitos e a procurar a solução deles no diálogo franco e aberto. A vida da comunidade deve preparar o formando para uma vida sacerdotal sustentada pelo exercício do diálogo, pelo respeito às diferenças e pelo trabalho em equipe.

Na aquisição e na administração do dinheiro e dos bens disponíveis para todos na casa de formação, o formando deve ser necessariamente corresponsável, vivendo já os primeiros aprendizados de administração dos bens da Igreja. Todos os riscos de paternalismo, acomodação, aburguesamento, bem como todo desperdício, devem ser evitados.

A cada formando, dentro de suas possibilidades ou de sua família, seja pedida uma participação para a sua própria manutenção. O trabalho voluntário, os serviços manuais na casa de formação e trabalhos durante as férias devem ser incentivados para formar o espírito de pobreza e a solidariedade com os mais pobres. O trabalho seja considerado como critério para a formação da vida pastoral e comunitária. A comunidade de formação vive a experiência de uma convivência fraterna e eclesial chamada a criar laços com as famílias e comunidades de origem dos formandos, com os vizinhos e a paróquia onde se localiza, com as paróquias em que os formandos exercem a pastoral e toda a Igreja local (CIC, n. 245, § 2).

Os formandos devem ainda ajudar a superar entraves graves à experiência da vida comunitária e fraterna, tais como:

  1. atitudes individualistas, narcisistas e comportamentos de isolamento e fechamento;
  2. busca de promoção pessoal, espírito de competição;
  3. gosto pelo luxo, pela mordomia e aburguesamento;
  4. espírito de crítica negativa e submissão por conveniência.

Pelo testemunho de vida fraterna e atuação em equipe, os formadores favorecem a formação para a vida comunitária. Promovam entre os formandos atitudes de respeito mútuo, corresponsabilidade, participação, disciplina comunitária e diálogo.

OS GRUPOS DE VIDA DEVEM SUSCITAR E CULTIVAR NA DIMENSÃO COMUNITÁRIA:

– Uma consciência pessoal e grupal sobre o cuidado da casa de formação, possibilitando que cada espaço formativo esteja adequado para o bem de todos.

– Participação efetiva e solidaria nos trabalhos e nos eventos comunitários conforme as escalas estabelecidas.

–  A participação na administração da economia da casa valorizando os recursos e investimentos da diocese e dos benfeitores.

– O cuidado e a conservação do patrimônio das comunidades formativas para o bem dos que virão futuramente.